12 de dezembro de 2008

É possível reconhecer um louco?


Um professor de Psicologia e Direito, chamado D.L. Rosenhan, decidiu verificar esta questão. Em particular, Rosenhan estava preocupado com o que aconteceria a pessoas normais que se internassem numa instituição para doentes mentais. Será que poderiam convencer os psiquiatras de que estavam sãs e podiam sair?
Rosenhan conseguiu que oito pessoas normais, incluindo a ele próprio, se internassem em várias instituições das costas leste e oeste dos Estados Unidos. Nenhuma dessas instituições tinha qualquer noção sobre as pretensões desses pseudopacientes. Os sujeitos eram homens e mulheres de vários níveis ocupacionais. Todos eles foram admitidos nas instituições, encaminhando-se ao escritório de administração e relatando sofrer de alucinações em que ouviam vozes repetirem incessantemente as palavras "oco" e "vazio".
À parte essas supostas alucinações, tudo o mais que os pacientes relataram sobre si mesmos era inteiramente verdadeiro. Com base nessa informação, todos os oito intrépidos exploradores foram admitidos em instituições psiquiátricas, sendo sete deles classificados como esquizofrênicos.
Uma vez admitidos, na medida em que a situação permitia, os pseudopacientes comportavam-se de maneira inteiramente normal, e nunca mais relataram ouvir vozes ou sentirem qualquer outro sintoma de anormalidade. Os sujeitos sabiam de antemão que poderiam sair apenas se convencessem a equipe do hospital psiquiátrico de sua sanidade. Porém isso não foi tão fácil como imaginavam. O tempo médio de permanência foi de 19 dias, sendo que um deles ficou internado 52 dias.
A alta não foi concedida porque a sanidade deles parecesse óbvia aos psiquiatras, mas sim porque diagnosticou-se que suas esquizofrenia estava em remissão, ou seja, embora antes tivessem estado doentes, poderiam tentar viver novamente no mundo externo. Parece que nenhum dos componentes das equipes das instituições pensou em questionar os diagnósticos originais.
É interessante notar que os pacientes verdadeiros em geral tinham consciência do que estava ocorrendo. Cerca de um terço deles colocava os impostores em seus devidos lugares, fazendo comentários como "Você não é um louco". Você é um jornalista, ou um professor". Contudo, os pseudopacientes tiveram muito mais contato com os pacientes verdadeiros do que com os psiquiatras. Com efeito, passaram um média de 6,8 minutos por dia,sendo curados pela equipe profissional.
Enquanto há pessoas que poderiam ser descritas como doentes mentais de acordo com qualquer tipo de definição, aumenta o número de psicólogos que se perguntam se os indivíduos internados em hospitais psiquiátricos não sofreriam principalmente por serem rotulados como doentes mentais. O estudo realizado por Rosenhan é uma evidência constrangedora desse ponto de vista.

(D. A. STATT. Introdução à Psicologia - Harbra, Sao Paulo: pág.221 à 222)

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